Senhor do Céu e da Terra,
e tu, mulher que foste a luz da minha vida…
É esta sua mania…
É este teu sorriso
que ainda me infantiliza
e me faz ajoelhar em silêncio.
Da primeira vez,
eu fingi que não vi.
Tranquei meu coração
e fechei as portas da minha alma.
Eu não queria me apaixonar.
Achei que fosses apenas
mais uma vírgula no meu destino…
Até o dia em que meu coração
sangrou diante da Tua presença.
Quantas máscaras eu usei, Senhor…
Quantos sentimentos inventei
para esconder a verdade que me consumia.
Eu só queria tê-la por perto.
Mas não posso tê-la,
não posso tocá-la,
não posso desejá-la…
E isto me destrói por dentro.
Isto me afasta da graça
e da paz que só Ela me dava.
Ela foi meu amor proibido,
o desafio sagrado
que nenhum homem ousa travar,
o segredo que a alma
guarda em silêncio diante de Ti.
Fui condenado pelos meus próprios caprichos.
Fui o servo teimoso
que se recusou a edificar
o que o coração pedia.
Agora eu irei sofrer.
Eu irei chorar.
Enfrentarei esta solidão sombria
com a cabeça baixa
e o peito aberto.
A culpa é minha, Senhor.
A culpa é inteiramente minha.
Eu não consigo mais fingir o que sinto.
Ela brilhou como a última esperança
de um moribundo
que ainda ousa pedir misericórdia.
E mesmo que eu a veja
nos braços de outro alguém,
isso irá me dilacerar…
mas se o seu sorriso ainda brilhar,
eu aceitarei,
porque a sua felicidade
é a única bênção que peço.
Ela é como um céu estrelado
para este pobre coração
que ainda ama.
E por mais forte que seja este sentimento,
eu preciso deixá-la partir…
Mas, Senhor,
se houver ainda uma fresta de graça,
fazei-a saber
que estou disposto a corrigir
todos os meus erros.
Que ela saiba
que este homem quebrado
ainda se ajoelha
e espera,
com o coração nas mãos,
a chance de recomeçar.
Sua felicidade
é o retrato sagrado
que eu quero guardar
para o resto da minha vida.
Amém.
— Leandro Ocsemberg

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