segunda-feira, 8 de junho de 2026

COPA DO MUNDO





Policial, prenda este homem,
ele afronta a tirania
eleita com rascunho e ego frágil,

Uma caneta de tinta azul
basta para destruir qualquer sonho. Leis dessintonizadas,
sentenças como números da sorte…
É isso que se colhe da omissão.
Defensoria pública,
acuse este homem!
É o que ele merece por desafiar a gente. Eu estive lá —
um pedaço de paraíso
que era apenas rascunho do inferno. 
Nunca fui agraciado com propinas.

Juízes frustrados,
promotores exaustos
atrás de uma mesa e copos de vinho
encharcados de decepções..

É Copa do Mundo,
e eu não consigo evitar o desprezo.

Qual será a falsa sentença ou acusação?
A justiça virá rápida
ou será longa e devastadora prisão?,

É Copa do Mundo…
eu poderia correr e fingir que nada está errado, 
Mas meu conflito primitivo
bravamente me traz esperança.

Policial, prenda este homem —
ele está pensando.
Isto é um risco à democracia.

O povo não pode entender o que é liberdade. 

Leis dessintonizadas..
sentenças como números da sorte,
multidões assassinadas mundo afora… 
Homem contra homem,
verdade contra mentiras..

É Copa do Mundo.
No fundo da minha alma
o socorro é um paradoxo,

No fundo da minha alma
a chama da luz é inconfundível.

Leandro Ocsemberg

 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

MUSICALIDADE DO CAOS







Dobrando espaço-tempo,

escondendo as estrelas,

desenhando este mundo

no canto escuro e sozinho.  


É isso que você é?


Enquanto a maioria mente,

a tristeza sorri,

sentimentos em cacos

misturam amores e desejos falsos.


 A verdade e a sabedoria rastejam

num mundo que pergunta sem querer resposta:

o que você está fazendo?


De toda sexualidade exposta,

nem todos estão vivos de verdade.

Todo mundo é estranho,

cavando o próprio túmulo com elegância.  


Eu não consigo viver de outro modo.

Tropeço, caio, levanto —

e o mundo segue mentindo.  


Há um abismo entre nós.

Pele e ossos nunca foram problema para você.


Você pode reduzir tudo isso a pó.  Este suspiro que me veste

arde frio como outro dia,

como a distância fantasmagórica

que se forma na imaginação. 


Ninguém me diz como será o amanhã.

Ninguém promete ser diferente de ontem.

Ninguém sabe falar o que sente.  


E desta dor que me veste,

toda luz é observada de longe.  Enquanto a maioria mente,

há um abismo entre nós.


Leandro Ocsemberg