Enquanto o seu suspiro profundo
surge do norte arrastando-se
como as poeiras deste deserto…
Sobre as planícies onde as lágrimas
se escondem, uma chama de esperança
ainda vive nos farrapos do inverno sangrento.
Nos milagres que deslizam
pelas linhas de suas mãos
repousa o brilho de um olhar moribundo,
da alma que suplicou no abismo do coração.
Como a dor desenha a pele,
a chuva deságua
sobre as pétalas das margaridas
que brotam nos prados celestiais de sua unção.
Mas como o sopro do inverno contágio,
inclina o sol para longe deste campo sem vida,
como se o amor nunca tivesse sido nada.
A água da vida brota nos olhos,
inunda o trajeto oceânico da alma
e deságua no vale sombrio do esquecimento.
Enquanto o seu profundo suspiro
sopra do norte como um ladrão na noite
sobre as planícies onde as lágrimas se escondem…
A chuva deságua sobre as planícies
de guerras perdidas.Como a dor desenha a pele,
a água da vida brota nos olhos…
Como se o amor nunca tivesse sido nada.
Como se não houvesse amanhã para o perdão.
Leandro Ocsemberg

Nenhum comentário:
Postar um comentário