Será isto a vida real,
ou apenas o peso da dor
que faz alguém enxergar o mundo
sob uma lente sem cor?
Se o mundo chegar ao fim,
resta apenas virar as costas
e seguir o rumo do vento,
sem pressa de buscar respostas.
É nessa hora extrema
que a própria vida chora,
quando a morte parece o fim
e a última luz vai embora.
Ouve-se uma sinfonia,
que é só o vento a soprar.
A ferida não sangra,
mas o coração cansa de pulsar.
O céu tenta um toque sútil,
por trás de nuvens escuras.
O sentimento quer emergir,
à beira de quedas seguras.
O que se deve perdoar?
Se há amor, haverá perdão?
Para que seguir o caminho,
se o destino é a solidão?
Ferido por um espinho,
segue-se sem a verdade saber:
por que um pássaro ferido
voa em busca de renascer.
Leandro Ocsemberg
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