É o hoje,
O amanhã que foi o ontem,
O mesmo script,
A mesma barbárie romantizada,
As mesmas velhas mentiras,
Uma política assassina,
Um judiciário corrupto,
De um deus com suas mãos calejadas, amputadas,
Ela é como uma menininha
De uma família desestruturada e esquecida,
De uma justiça que não vale nada
Mas te sentencia as feridas,
Eu também me sinto assim,
Uma sobra para se divertir,
Sem tempo algum para sonhar,
E metade do que sou
É tempo para rascunhar,
É o hoje,
É o agora,
O amanhã que foi o ontem,
O seu cão de estimação late,
Defecando pelo seu diário enferrujado,
Sem inspiração,
Sem elucidação,
Tudo morre como se nunca houvesse vida,
Ela é como uma menininha
De uma família desestruturada, estuprada e esquecida,
Afogada em um lago de mentiras,
Ela gosta de roubar seu tempo,
Antes da mão cicatrizar
Condenando ao sofrimento,
Ninguém realmente se importa,
Todos estão fingindo, eu até acho isso legal,
Por que no fundo, eu também sou um bastardo,
É o hoje,
O amanhã que foi o ontem,
Falsos profetas sorrindo
Como se eu fosse um amanhecer no fim de tarde,
O que eles dizem é real,
Uma esmola por uma luz de velas,
Isso me faz querer roubar o seu tempo,
Por que eu apenas estou vivo,
Eu estou apenas sobrevivendo
Das migalhas de quem nos crucifica, e nos deixa desvanecendo.
Leandro Ocsemberg
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