sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O ANJO SALVADOR II






















Enquanto minha espada
bailava pelo ar, reluzente,
seu olhar  me tem no infinito,

em meu corpo,
abluído em prole,
minhas mãos brandiam sua confiança,

as vezes,
todas as nossas lamentações estão disparadas,
assim como a dúvida brilha no olhar,
toda a dor desperta de sono profundo,

há algo que sinto no vento,
entre as nuvens se abortando,
meu espirito parte abarcando sombras de temores,

mil noites de fogo,
sua comiseração cai em mim,
sobre minhas aflições e meus ferimentos,

no arbusto de vida insuficiente,
sua pretensão abordará, nos alterando pela passagem,
caído ao léu da amnésia,
seu anjo correspondente, estenderás as mãos,
socorrista de nossa mortificação,

sua luz nascerá entre relampejares
cintilando em nossas faces,
atingindo em nosso espírito falido
como a última benção a nos ser dada.



LEANDRO OCSEMBERG

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

NO OLHAR DO POETA






















Em meus olhos,
você surge como um sonho,
na correnteza do riacho
eu ouço o seu canto,
o toque de suas mãos vem no vento
lentamente em meu rosto afago,

toque-me, toque-me,
tão intimamente o quanto eu vivo,
em sua nudez,
eu vago pelos canções mais absurdas,
em seu encanto acalanto eu me desvio,

como cada estrela intensa,
és uma baliza, avesso ou prosa de poesia
que desatina em minhas míseras obsessões,  

doce inspiração de perversa alienação,
tão densa de anseios, em abismos de atração,


toque-me, toque-me,
eu posso ter mais,
não é um sonho
minha concepção de indigências,

és uma límpida e cristalina lágrima no olhar do poeta,
borrando as linhas da poesia e suas arestas.



LEANDRO OCSEMBERG 

COMO DA PRIMEIRA VEZ























Por toda minha vida,
eu irei te contemplar, como da primeira vez,
nenhuma fantasia é desvairada,
eu não pude acreditar tanto assim,

toda a essência da alma, vaga,
como o aroma das rosas sobre os campos,
através dos seus olhos,
há uma criança cheia de penúrias,

por toda minha vida,
eu irei te experimentar, como da primeira vez,
nossos anseios estão vivos,
em suas barreiras de medos,

eu viverei um pouco mais,
no mundo que ninguém vê,
entrando pelas portas que você abriu na noite,

não há lugar algum, não temos tempo,
quando ninguém te ouve, para onde se deve fugir?,
como o aroma das rosas sobre os campos,

através dos seus olhos,
há uma criança cheia de penúrias,

por toda minha vida,
eu viverei um pouco mais,
no mundo que ninguém vê,

tocando seu rosto como da primeira vez.



LEANDRO OCSEMBERG

terça-feira, 2 de outubro de 2012

AMOR E ÓDIO



























Noite estrelada,
ela entra pela porta,
olhando ao redor, muda, calada,

eu apenas a olho como sempre,
amando como da primeira vez,

se despindo e cansada,
se dirige ao banheiro,

toalha cobrindo o corpo,
olha leviano no rosto,
eu nem imagino o que vai me esperar,

ele me embebeda, me seduz me envolve,
é a sua maneira louca de me amar,
me arranha, me lambe e me afana,
outra vez ela vai me dominar,

amor e ódio,
ela me ferve de tesão,
amor e ódio, juntos,
sou escravo de sua ardente paixão,

escorrendo pelo seu corpo,
meus lábios ganham o caminho perdido,
me segure, me segure, estamos nos unindo,

ele me aprisiona em seu desejo louco de amar.


LEANDRO OCSEMBERG

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A VOZ DOS SONHOS





















Eu estou confuso, longe de casa,
mas nenhum passagem leva a nada,

um homem simples e seus aspectos,
minha sombra fala comigo,
meus sonhos olham para mim,

eles me disseram,
eu esqueci o que você disse,
e outra vez metralhado nos lábios,
seu olhar vai me assaltar de novo,

toda dor transformou ruinas em castelos,
toda lágrima virou um riacho cristalino,
dobrando meu coração sobre o meu cérebro,

perdido no jardim de minha invenção,
sedado, seu olhar vai me atacar de novo,

sentimentos duvidosos,
não me decepcione, um homem simples e seus vultos,
outra vez metralhado nos lábios,

pelo olhar do anjo meu espirito foi raiado,
toda dor transformou ruinas em castelos,
toda lágrima virou um riacho cristalino,
esta é a minha visão final,

meus sonhos olham para mim,
eu esqueci o que ele disse.



LEANDRO OCSEMBERG

SUPOSIÇÕES ENCIUMADAS





















Sentimentos vazios,
ela saiu batendo a porta,
outra vez envolvida arranjo de si mesma,

sem finalidade de contemplar nas palavras,
entenda baby, você estava enganada,
são suposições delirantes, me avocar como garoto,

você me põem lá em cima,
e me derruba com suposições enciumadas,
você me põem lá em cima,
e com um beijo me deixa sem fala,

eu chutaria tudo pelos ares,
em outra esquina frisando olhares,

rasga-me a roupa,
e despedaça-me a pele em suas unhas,

você me põem lá em cima,
e me abate com suposições enciumadas,
você me aprisiona em seu olhar e me solta ao pés,

 receio e medo,
paixão ardente, amor exigente,
eu aprendi errado?, é este o seu bel-prazer?,

você me contém e me ama,
com suas suposições enciumadas.



LEANDRO OCSEMBERG

EPÍSTOLAS ASSASSINAS






















Letras em sangue,
o poeta está alienado,

alucinado pelo olhar vigilante,
aprisionado a dor, para sempre?,

jogue seus fluxos do céu,
então eu experimento você,
eu assisto como você sai cantarolando,

a despeito do seu sorriso de anjo,
as epístolas estão em sangue,

então eu vejo você,
é tão real como eu sinto,

eu atinjo em sua santidade,
um impulso fosfórico , catastrófico ,
de um declive qualquer,

do chão para o alto,
tão rápido como um relampejar,
apoiado nos entulhos de seus sinais simplórios,
mentiras em linhas para as nossas melhoras,

 a despeito do seu sorriso de anjo,
as epístolas estão em sangue,

sua sombra vem por trás,
apunhalando em aparo sem tinta,

jaz morta sem intenção alguma de alegria.



LEANDRO OCSEMBERG