Estou confuso, longe de casa.
Nenhuma passagem leva a lugar nenhum.
Minha sombra conversa comigo,
meus sonhos me encaram em silêncio
e dizem coisas que eu logo esqueço.
Outra vez sou metralhado nos lábios.
Seu olhar volta a me assaltar
como quem já conhece todos os meus esconderijos.
Toda dor transformou ruínas em castelos.
Toda lágrima se fez riacho cristalino.
E mesmo assim continuo perdido
no jardim que eu mesmo inventei.
Sedado pela própria invenção,
sei que seu olhar virá de novo.
Pelo olhar do anjo meu espírito foi raiado,
e pela dor eu aprendi a construir
sobre o que já estava destruído.
Esta é a minha visão final:
meus sonhos ainda me observam,
e eu continuo sem conseguir lembrar
o que eles tentaram me dizer.
Leandro Ocsemberg

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