Dobrando espaço-tempo,
escondendo as estrelas,
desenhando este mundo
no canto escuro e sozinho.
É isso que você é?
Enquanto a maioria mente,
a tristeza sorri,
sentimentos em cacos
misturam amores e desejos falsos.
A verdade e a sabedoria rastejam
num mundo que pergunta sem querer resposta:
o que você está fazendo?
De toda sexualidade exposta,
nem todos estão vivos de verdade.
Todo mundo é estranho,
cavando o próprio túmulo com elegância.
Eu não consigo viver de outro modo.
Tropeço, caio, levanto —
e o mundo segue mentindo.
Há um abismo entre nós.
Pele e ossos nunca foram problema para você.
Você pode reduzir tudo isso a pó. Este suspiro que me veste
arde frio como outro dia,
como a distância fantasmagórica
que se forma na imaginação.
Ninguém me diz como será o amanhã.
Ninguém promete ser diferente de ontem.
Ninguém sabe falar o que sente.
E desta dor que me veste,
toda luz é observada de longe. Enquanto a maioria mente,
há um abismo entre nós.
Leandro Ocsemberg
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