quarta-feira, 3 de junho de 2026

MUSICALIDADE DO CAOS







Dobrando espaço-tempo,

escondendo as estrelas,

desenhando este mundo

no canto escuro e sozinho.  


É isso que você é?


Enquanto a maioria mente,

a tristeza sorri,

sentimentos em cacos

misturam amores e desejos falsos.


 A verdade e a sabedoria rastejam

num mundo que pergunta sem querer resposta:

o que você está fazendo?


De toda sexualidade exposta,

nem todos estão vivos de verdade.

Todo mundo é estranho,

cavando o próprio túmulo com elegância.  


Eu não consigo viver de outro modo.

Tropeço, caio, levanto —

e o mundo segue mentindo.  


Há um abismo entre nós.

Pele e ossos nunca foram problema para você.


Você pode reduzir tudo isso a pó.  Este suspiro que me veste

arde frio como outro dia,

como a distância fantasmagórica

que se forma na imaginação. 


Ninguém me diz como será o amanhã.

Ninguém promete ser diferente de ontem.

Ninguém sabe falar o que sente.  


E desta dor que me veste,

toda luz é observada de longe.  Enquanto a maioria mente,

há um abismo entre nós.


Leandro Ocsemberg



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