sexta-feira, 11 de novembro de 2011

MENTIRAS E DECEPÇÕES





















Em algum lugar,

dentro do seu olhar
bem no fundo de suas lágrimas,

algo tem roubado de você
e te levado em silencio,

eu vejo isto em sua tristeza,

brotando como as flores
mentiras e decepções,
que nos levam a tomar dozes
e nos embriagam com o rosto na calçada,

talvez seja algo que foi dito,
ou uma maneira de interpretar
maneiras de viver com seus defeitos,

não diga nada,
eu sempre soube
que jamais entenderia certas coisas,

eu sempre estou errado
quando acredito que iremos vencer
todos os dias os mesmos desafios,

não diga nada
sempre estamos reiniciando
nossos caminhos ou nossas jogadas,

todo sorriso está acusando
um feito simples que vivemos,

e eu sempre estou errado
acreditando que tudo ira passar
mas a flechada sempre volta,

não como um cão domesticado
ou pássaros presos em gaiolas,

mais sei que estou certo
quando ergo um escudo contra isso,
sem armas de ataque, ou frases de bombardeios,

e não será a primeira vez que me refiro,
todo predador tem seu inimigo,



mas sempre podemos começar tudo de novo.







LEANDRO OCSEMBERG

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

ACASO





















É o silencio da manhã,

um despertar de um calvário,

cavando em minha mente
um buraco, uma procura,

entre luzes de velas
a mesa está estendida,

meu olhar triste cavalga até
o outro lado, seu silencio,

eu vejo em seus olhos
montanhas deslizarem,

com ou sem você..
com ou sem você
tudo irá continuar,

eu espero sempre o minuto certo
para agir e juntar os pedaços,

mas o que importa
é o seu querer, e não
como tem que ser,

eu errei primeiro
mas você continua a desconfiar,

e eu estou gritando
em meu olhar acorrentado,

eu estou chorando palavras
em frases que estavam guardadas
nas linhas de minhas mãos,

linhas de um rastro deixado
pelo toque sútil do acaso,

com ou sem você
o mundo ira se chocar,
com ou sem você
ainda se pode sonhar,

o pensamento está parado,
aos trancos suspiro o folego
no seus erros que já foram perdoados,

erros que você fingi não entender.






LEANDRO OCSEMBERG.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

DISCORDÂNCIA




























Veja o vento,

transparente como o medo,

sinta o brilho dos olhos
quando eles se enchem perante você,

eu cutuco minha dor
cascas de feridas
deixadas na estrada,

não diga que é o destino,
que através dos erros aprendemos,
que esquecemos para perdoar,


ela está sugando tudo,
mas eu e você continuamos,

em trapos úmidos
eu enxugo suas lágrimas
e limpo o seu rosto avermelhado,

como meus dedos se encaixariam
perfeitamente entrelaçados nos seus,

ela está sugando tudo,
mas eu e você continuamos,

continuamos em nome do amor,

predestinados a carregar consigo
sua armadura de pele e ossos,
que se consome, e se devora sozinha,

em uma cama de dor
sempre espera o melhor,

um quarto escuro e assombrado
no topo da árvore de desejos
ao lado de brinquedos de um parque iluminado,

ela está vindo com seus truques
nos confrontar diante de si mesmo,

não diga que é o destino
lançarmos nosso sangue,

uma reviravolta na tempestade
para encontramos uns aos outros,

onde eu e você continuamos,

continuamos em nome do amor.



LEANDRO OCSEMBERG

sábado, 5 de novembro de 2011

A FIGUEIRA E O ROUXINOL























Manipule-me,

queime meu espírito
em sua chama viva,

refaça-me o viver,

no céu alto e purificado
há uma razão para viver,

a morte brinda com a vida
ilesas e árduas feridas,

em um deslize das lágrimas
de joelhos sou todo seu,
cada segundo, cada suspiro
que sopra de minha vida,

abra-me os olhos
da cegueira estreita e longa
que corre no sangue do meu corpo,

o mesmo que o banha de prazer
e torna o pecado real em mim,

no riacho cristalino
a beira da figueira e o rouxinol,
o canto suave e perseverante,

na disparada assustada
de um coração, ponha sua mão sobre mim,

o guerreiro que não tem medo de morrer,
morrer por seu amor, tem medo de viver,
viver e carregar consigo a dor,

em minha última visão
fraca como luzes de velas,

olhe para mim, de joelhos
com os olhos carregados de medos
não deixe que minha alma venha flagelar,

eu preciso te abraçar do outro lado,

do outro lado da ponte.





LEANDRO OCSEMBERG.

NOITE SOMBRIA


























Portas no escuro,
mil pensamentos em olhares distorcidos,

paredes cheias de rostos
pinturas de óleo viscoso,

nenhum olhar amigo,
por perto a sombra do vazio,

portas no escuro,
um escuro amigo e sombrio,

ao meu lado,
lágrimas tardias,

ao meu lado,
quebradas palavras vingativas,

é um texto em seus lábios
no ouvido de um acusado,

os dedos na parede,
marcas de presságio absoluto,

ao meu lado,
gotas de um veneno,

ao meu lado,
mãos sem ar nenhum,
sem nenhum desejo,

portas no escuro,
no escuro da noite
eu me liberto de mim mesmo,

são apenas gritos, é apenas dor,

ao meu lado,
tão perto sinto estranhos,

ao meu lado,
um degrau de escadaria,

na face do sótão sem janela
é a lua brilhando atrás das árvores,
no escuro amigo e sombrio de lágrimas tardias.





LEANDRO OCSEMBERG

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

BOLHAS DE AR





















Entre o vento gelado
não me pergunte de novo,

segure minhas mãos,
nós temos que caminhar
sobre as flores que morrem,

eu estou ferido
e você estava bem ali,

no meu olhar,
no alcance de minhas mãos,

faça sua dor em alegria,
faça das mentiras a verdade,

quem disse que não se pode voar?

é um sonho lindo
dois mundos colidindo,

viver é belo e infinito
mesmo na dor dos espinhos,

não me pergunte de novo,
um coração precioso
sempre tem que funcionar,

nós precisamos aguentar,
é uma montanha feroz
na noite escura e solitária,

é uma escadaria inclinada
uma parede sem portas e janelas,

bolhas de ar,
eu estou sem nenhuma aqui,

e eu sempre esperei que você..

eu sempre esperei você em algum lugar.



LEANDRO OCSEMBERG

SOMENTE UM DEUS


























Figuras de medo
nos traços de seu rosto,

pratos vazios,
em pouco tempo, seu suspiro,

em um fluxo constante
e duvidoso, sua fé é testada,

a morte é certa em uma sobrevivência milagrosa,

há somente um Deus,
e seu amor é um só,

amigos e irmãos,
se ferindo por orgulho,

leprosos de mente que expulsaram jesus
de suas vidas para o culpa-lo pelos seus erros,

cegos de espíritos
que criam seus deuses,

na violência do seu corpo,
a compaixão surge nas tragédias
de criações desenhadas em sangue,

isto te torna real ?,

há somente um Deus,
e seu ensinamento é um só,

choramos por vários motivos
mas as lágrimas são sempre as mesmas,

sorrimos por vários motivos
mas o sorriso sempre foi o mesmo,

amamos por um único motivo
e odiamos por várias situações,

mas vivemos pelo mesmo motivo
que nos assusta na escuridão,

a superioridade de nossas razões.





LEANDRO OCSEMBERG.