sexta-feira, 20 de abril de 2012

UM NOVO AMANHECER






















A cachoeira vem descendo das montanhas,

uma sensação de alivio e conforto,
tão próximo das arvores e seus frutos
o meu coração se revela,

a dor é real longe de você,
tudo é sem cor e desigual nos sentimentos,
há uma parede entre o vento e a paisagem,

mas nos seus lindos olhos
toda paisagem é como o arco-íris
livre como o vento que você assopra no meu rosto,

e toda certeza é certa quando você segura minhas mãos,


venha mais perto, mais quente
seu corpo faz do meu uma chama sem igual,

há um segredo no amor
que apaga toda dor, e você é apenas o começo,
e o mundo é apenas o desenho que nos distrai,

há uma flor no  jardim
tão amarela, tão viva que seu rosto vive nela,
suas maneiras são como cada grão da semente,
como cada pincelada da aquarela,

na nascente do riacho,
flores e pássaros, uma pura e doce canção,

pigmentado é tão sagrado no desejo
de sentir você aqui, do meu lado,

mostrando-me mais um amanhecer.



LEANDRO OCSEMBERG 

VIDA II

























Enxugue suas lágrimas,

eu sou apaixonado por ela,

tão doce e envenenada,
na luz que incendeia minha pobre alma,

o sol  quer fazer morada em minha pele fria
e minha mente desorientada,
imaginando seu toque no amanhecer
querendo o seu desejo vivo de amar,

eu sou louco por ela,
no barulho de sua tempestade,
sou amante apaixonado, louco desvairado
no sombrio presente de sua maldade,

ela me prende e me solta,
me esvazia, me enche,
doce paixão da minha razão,

meu céu, meu inferno,
és tudo o que venero,

tão viva no amanhecer,
tão misteriosa no anoitecer,
você me quebra em mil pedaços
e me faz desvendar seus segredos,

é nessa doce paixão que vivo vivendo
e entregando todos os meu segredos

me perdendo, me encontrando,
sem você eu vivo como um objeto estranho.






LEANDRO OCSEMBERG





ORGULHO FERIDO




















Perolas,

seu colar se desfez ,

você me culpa pelos seus erros infantis,
embriagado de tédio em seu olhar acusador,
eu fujo no rastro da noite,

caixas de presentes
vazia de surpresas, nenhum espanto,
no estado de espirito quebrado,

pela janela água viva da tarde,
escorre nos meus olhos admirados pela imagem nublada,
dentro das sua alegrias,

nunca mais será como antigamente,
como a inocência fazia sentido,

era só isto o que  faltava
um pingo de lembrança para refazer oceano vivo em meus sonhos,

dentro de jardins verdes
eu estou indo noite à dentro,
enquanto você dança com os seus desejos,

jardins verdes, nos portões do paraíso,
dentro de cada bolha de sabão
assobiado pelo orgulho ferido de mim mesmo,

você notará a minha ausência?
você sentirá quando eu não estiver por perto?

pela janela eu vejo a sombra dançante
no seu quarto escuro e solitário de amor.






LEANDRO OCSEMBERG

A CAMINHO DO CÉU




















É chama árdua,

outra vez sentado sobre as rochas
no alto desta colina solitária,

é chama árdua,
estrelas brilhantes penduradas no escuro ,

eu estou acenando
com meu gesto infantil para ela,
e mal percebe meu sorriso
na fresta da janela,

desfeito neste sonho,
é chama árdua querer se banhar
onde o sol não faz verão,

eu estou acenando para o céu
por entre campos verdes,

acenando para o céu
mas ele é tão distante do outro lado da rua,

eu estou circulando entre pessoas do bem,

é chama árdua, rios sem águas,
pés descalços, mãos vazias, e visão embaçada,

eu estou perdido há caminho do céu,

erguendo  os braços juntos entre pessoas do bem
em suas fugas diárias, em seus caminhos de vai e vem,

ela está sorridente, como jovem rebelde e inconsequente,

e eu estou indo perdido, sem medo nas mãos,
segurando-me nos sorrisos de pessoas do bem.





LEANDO OCSEMBERG

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SENHOR DAS TREVAS
















Frio contagioso,

é um vento devastador em palavras mentirosas,
viver sem saber quem está mentindo,

pobre senhor do inferno,
suas gargalhadas pelos becos estou ouvindo,

senhor das trevas,

eu não me sujeito as suas malicias,
e tão pouco caio nas garras de suas armações,

um pouco mais de  mim,
no prato de mentiras vendidas,
um pouco mais quente de suas guerras casuais,

calor fervoroso,
o corpo queima, e o cheiro de mentira
é fumaça nas veias furiosas do espelho cego de imagem,

pise na lama, sujeite-se a mim,
de joelhos esfolados,

senhor das trevas,

seu olhar não me engana,
sua luxuria e beleza mundana
são brinquedos que eu quebro no quintal de minha serenidade,

descalço e sem trapos novos,
minhas vestes se desprendem do meu corpo
e caem nas águas levianas do seu orgulho submisso,

senhor das trevas,

eu brindo diante do vento que te assusta,
e vago livremente nas chamas do seu fogo infernal sem medo de errar.





LEANDRO OCSEMBERG

KARMA





















Tire sua mascara,

Eu também choro no escuro sozinho,

O mundo é estranho e bizarro,
Suas cores enfeitam a festa
do magico e sua cartola de truques baratos,

Eu também já me senti  perdido
nessa matemática carruagem sem rodas,

Eu quero uma nuvem do céu,
e levar comigo toda esta certeza
que nos acorda para nos enganar,

Lave suas dores no riacho
desta ciência humana e sua língua estrangeira,


o mundo é estranho e enganador,
não se vá com eles, são apenas zumbis poéticos,

em sua língua portuguesa, palavras são sem significado
toda vez que tentam entender a si mesmo,

eu quero subir na escadaria sem corrimão,
e suportar esta mochila de ferramentas sórdidas,

o mundo é frio e violento
não se junte há essa química enfurecida das multidões,

incendei seu karma e lute contra si no escuro
é apenas um erro que faz os ossos estremecerem,
e sua pele chorar este sentimento mundano.






LEANDRO OCSEMBERG

MEDO


















Eu observo as lágrimas,

elas secam suavemente sobre o olhar,
antes de escorrer pelo seu rosto,

você me disse uma vez
que não se deve tocar as rosas,
elas desbotam nas palmas das mãos,

mas é impossível  observar
este sonho e não toca-lo,

você sempre diz como é o sol
quando chega o inverno,
tentando aquecer o frio
que nos afasta na noite solitária,

você sempre põem suas mãos
sobre o lençol e abana sua poeira,
sempre com um sorriso nos lábios
e um brilho no olhar,

e impossível não notar
as folhas secas no ar,

elas caem, e caem, entre milhares de outras,
perseguindo pelo ar sua estratégia ,
uma queda livre sem medo algum,

e você sempre disse sobre cada pingo da chuva,
e onde o sol se esconde nos quadros sem moldura.




LEANDRO OCSEMBERG