Não tenho tempo para viver
Nas grades desta ilusão,
Uns vivem por viver
Outros vivem de solidão,
Caminho entre sombras e luz,
carregando o peso do que sou,
procuro um sentido que seduz,
mas o silêncio responde: “não”.
Ouço o silêncio que outrora grita o teu nome,
Minha alma reflete luz
onde a dor se faz mais forte.
Carrego no peito um vazio antigo,
feito de ausências e de adeus,
busco no escuro um porto amigo,
mas só encontro o eco dos céus.
No olhar cansado
A esperança é um luxo,
Que vagueia pelas nuvens que cobrem este mundo
e deixa a alma ainda mais nua.
Em um velho retrato
O fingimento é exitante,
Onde o corpo é um aperitivo
De um capricho constante,
e no fim de tudo o que restou
foi o gosto amargo do que não se disse,
um coração que se acostumou
a viver de sobras e de cicatriz.
Leandro Ocsemberg

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